O Alienista (12/01/2026)

 


            Estou lendo O Alienista, edição de bolso, esqueço o nome da editora, mas a coleção tem o nome de “clássicos para todos”. E resolvi que o nome da cidade em Made In Japan será Bacamarte em homenagem ao protagonista de O Alienista, Simão Bacamarte. E outra coisa que acho interessante são as capas, a minha edição da novela, tem como capa fotos de procedimentos psicológicos do século XIX, outra edição tem o próprio Bacamarte puxando o leitor para dentro da Casa Verde e outra tem a apenas a janela da Casa Verde. O que cada editora quer vender sobre a obra de Machado? O meu está focalizando na época e nos horrores da psicologia da época, um está apontando o poder do déspota que é Simão, e outra coloca o foco na Casa Verde. A Casa Verde fora do contexto é algo agradável, é descrita como uma grande casa com vários cômodos confortáveis. Só sua imagem não retrata de maneira fiel o livro, e acho que essa é a ideia.

A capa do livro é um instrumento de marketing.

            Ontem eu comprei um livro chamado Casas Estranhas por Uketsu. Comprei inteiramente por conta da capa. Cinza com rosa. Coisa magnifica, além de uma sleeve rosa que explica fatos sobre o autor. Se o livro for uma merda, só vou descobrir depois de lê-lo, pois julguei ele pela capa e paguei o dobro do que ele vale.

            “Livrarias” poderia ser o título deste texto, mas como escolho o título antes de escrever estará como “O Alienista”. Mas livrarias. Um lugar para a venda de livros e que em um horário movimentado, se compra-se os livros não por uma sinopse ou por uma ideia, mas por duas coisas superficiais que não arranham nem um pouco a profundidade que uma obra pode alcançar. Em uma livraria movimentada se julga o livro pela capa e pelo reconhecimento de nome. Comprei Casas Estranhas pela capa, mas consegui me esconder do movimento para comprar A Torre Acima do Véu de Roberta Spindler pois achei o conceito interessante, mas quase não o comprei, quase comprei Slow Horses de Mick Herron pois é o livro de base para a excelente série homônima, e quase comprei Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marques por conta de um Nobel em Literatura.

            A Torre Acima do Véu pode ser ruim, mas me sinto orgulhoso de tê-lo comprado por uma razão não-superficial.

            Se eu explicasse o que acabo de escrever para Simão Bacamarte, eu acabaria sendo posto na Casa Verde junto de pessoas que foram julgadas como sãs. E olha que ele estaria certo em me prender lá.

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