Às vezes excrementos. (18/12/2024)
Às vezes escrevemos coisas que pensamos, mas não acreditamos. E quando se adiciona uma rima, um ritmo, ou qualquer coisinha artística no meio se torna profundo. Quando eu tinha 14 anos eu tive meu primeiro beijo, aos meus 18 tive o meu segundo, não tive nenhum outro desde então; uns dizem que é por introversão, mas digo que é por medo de me aproximar de alguém sem saber solicitar, por não conseguir conversar com alguém que entenda noventa porcento das referências à política brasileira da década de 1920, ou por não conseguir ser romântico, não ter a arte do flerte.
Por
muitas vezes eu torno uma possibilidade de romance, de flertar, em um resumo da
carreira do apresentador e empresário Roberto Justus.
Esse
é um problema, estou sempre preparado para ser a punchline, para ser o
otário da vez. Não fui programado para ganhar.
Quando
eu podia ser vangloriado eu acabo me atrapalhando.
No
sétimo ano eu me descubro como um dos melhores goleiros de futsal do meu
bairro. Podia gastar horas na frente do gol com um time sem defensores e não
sofreria nenhum gol. Fui do último a ser escolhido na educação física para cobiçado
a ponto de gerar briga entre quem escolhia. Chegou a época da interclasse, a
competição mais esperada em todo o futebol da Escola Estadual Jardim Ipanema,
todo mundo queria que eu fosse o goleiro, e até estava prestes a me inscrever.
Pois então, um outro garoto que também era goleiro queria mais do que eu e era
melhor nesse negócio de goleiro do que eu.
Eu
paguei para um menino que eu não conheço entrar no meu lugar na interclasse.
Minha sala ficou em segundo.
Sempre
encarei o fracasso como uma possibilidade de uma piada, uma piada nas minhas
custas, mas uma piada. E sinto que irei continuar encarando isso como tal.


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